Os últimos serão os primeiros


Resumo:
10 horas Roncesvalles – Larassoaña
Gastos: 0,99€ suco de laranja + 4,80€ café com leite e sanduíche de queijo + 6€ albergue + 11€ jantar menu peregrino + 1€ taça de vinho
Acontecimento: Relação de ódio e amor com o hospedeiro

Saí de Roncesvalles às 7:30. Como não tinha lugar para tomar café da manhã na cidade, tive de andar até Burgete para poder comer na cafeteria da cidade. Estava um frio de lascar com um vento que parecia que ia me levar, juro! Vi o restinho da neve que caiu no dia anterior.
Antes de chegar na tal cafeteria, parei um mercadinho e comprei um suquinho de laranja, com esse tempo louco decidi que vou tomar uma dose de vitamina C diária seja por suco ou pela vitamina que trouxe do Brasil.
Tive uma certa dificuldade para encontrar o local do café, o mapa que eles colocaram no meio do caminho não estava muito claro para mim, mas nada que uma pergunta a um pessoal que estava de saída de um hotel de lá não resolvesse.
Chegando no local dois choques loco de cara: 1º aquela bafora de cigarro assim que você abre a porta já que aqui ainda não existe a lei proibindo fumar em locais fechados; 2º a falta de asseio dos atendentes, por assim dizer, sério, choca você ver a pessoa pegar o dinheiro e com aquela mesma mão, sem nenhum utensílio, pegar seu pão. Enfim, meio qeu já tinha sido avisada das duas coisas, a primeira foi pura e simples falta de costume mesmo e a segunda, mesmo com todo aviso, choca. Fiquei imaginando Dr. Bactéria aqui… Afe! Mas, se os espanhóis estão aí firmes e fortes o que posso dizer? Torcer para que meus anticorpos sejam suficientes para que coisa pior não me aconteça.
Conheci mais alguns brasileiros nessa parada: Marquesete e Flávia de SC, Carlos do PR e Adriano do CE. Na saída da cafeteria eu encontrei Regina perdida de Paulo.

Mais neve, pouquinha dessa vez

Durante o caminho até Alto de Erro muita lama, mas muita lama. Para completar voltou a nevar, mas coisa pouca dessa vez, nada de chão braquinho, só frio mesmo, muito frio para variar.
Numa das paradas encontrei com Adriano e andei com ele por um tempo até que ele deve de parar para ver não sei o quê na bota, ele é outro que desce todo ligeirinho as ladeiras lamacentas e escorregadias do caminho. Eu tinha pensado que ele estava com os outros brasileiros, mas me contou que também veio sozinho, achar melhor manter seu ritmo próprio.
Quando cheguei no Alto do Erro e me sentei para dar uma descansada, reencontrei Regina. Ela comentou que tornou a ver o ciclista maluco correndo ladeira a baixo hoje com uma novidade, descalço. Realmente tem doido pra tudo nessa vida.

Biscarreta: onde me separei de Regina e comecei a caminhar com Adriano

Fomos juntas até Zuribi, foi quando finalmente ela reencontrou Paulo. Eles iam dormir por lá mesmo, mas acabaram indo comigo até Larrasoaña. Logo na entrada na vila, antes de passar a ponte, ao tirar algumas fotos minha máquina caiu no chão e agora não fecha parte da bateria e cartão de memória. Nem a máquina aguentou e teve de ser remendada, nada fica ileso, ao que parece.
Chegamos para dar entrada no albergue e, ao que pareceu só tinham duas camas, a minha e a de Regina. Carimbamos as credenciais e fomos para o prédio onde ficaríamos, precisamos de ajuda para encontrar porque a casa fica meio para dentro no que não chega a ser bem uma rua e não tem nenhuma identificação. Quando finalmente encontramos, fizemos todo o ritual, tirar saco de dormir para marcar território na cama escolhida e desarrumar mochila para pegar as coisas para o banho, não vou mentir que isso é meio um pé no saco, mas tudo bem, o pior ainda estava por vir… Depois do banho já estava separando mentalmente o que ia lavar e onde ia colocar para secar quando, ao retornar para minha cama, vem um grupo para cima de mim me acusando de ter roubado a cama de um deles. Olhe, taí uma coisa que não sou é usurpadora nem de camas nem de nada de ninguém, e vem neguinho dizer com-toda-certeza que a cama estava ocupada e que eu tirei as coisas do cara foi para me tirar do sério. Quando cheguei não absolutamente nada emcima da cama, apenas uma capa de chuva aberta na parte de cima do beliche o que não quer dizer absolutamente nada porque poderia ser da pessoa de baixo. Daí me chega o tal “dono” dizendo que tinha uma calça aberta na cama. Juro por Deus que me controlei para não mandar ele pra puta que pariu, até porque ele ia entender mesmo já que era espanhol, porque não tinha merda nem de calça nem de zorra nenhuma lá. Para meu azar tanto Paulo como Regina estava no banheiro pois não só viram como estava a cama quando chegamos como o prórpio Paulo tinha me indicado a maldita da confusão. No meio da discussão do tinha-não-tinha chega o hospitaleiro que foi procurar uma outra cama e não é que o abestalhado me indicou uma cama cheia de coisa emcima?!?! Quando virei para ele e perguntei se ele tinha certeza dessa vez com meu tom de voz irrreconhecivelmente normal o que significa um pouco alto para os padrões normais, vem ele “fale baixo porque tem gente descansando”. Rapaz, pense que nesse hora não deu vontade de dar um soco na cara daquele infeliz, tornei a perguntar, no meu tom de voz, se ele tinha certeza que estava desocupada, afinal, se a outra que não tinha porra nenhuma em cima veio neguinho reclamar, imagina a outra. Foi quando o cara que estava embaixo da que ele estava indicando falou que tinha alguém lá. Ele então vira e fala para eu pegar minhas coisas que ia me colocar em outro local. Agora, visualize: você chega num lugar onde a pessoa informa que você está ocupando a última vaga, o que você pensa quando de repente seu lugar já tem dono? Por sorte, lá onde carimbamos as credenciais tinha mais camas. Não entendi o terrorismo de falar que estavamos ocupando as últimas, mas tudo bem. Se soubesse disso teria ficado puta só com o fato de ter de catar todas as minhas coisas novamente e não teria de controlar um ódio mortal e a vontade de socar um. Depois as desgraças acontecem e o povo não sabe o porquê. Inclusive, se soubesse que ia ficar num lugar tão legal, teria até agradecido o cara das calças e tal. Acabei ficando num quarto bem menor, cabiam 5 pessoas e no final ficou apenas eu e o austríaco Markus, é ou não é para agradecer? E já adiantando, para completar o austríaco não roncava e nem madrugava, just heaven!

Larrasoaña e a última foto da máquina inteira

Como o restaurante estava quentinho acabei ficando por lá mesmo até dar a hora do jantar, é difícil se acostumar com essas jantas tardes, mas tudo bem. Aproveitei para fazer minhas anotações e fiquei surpresa ao pegar a caneta e tchamram! A ponta dela estava congelada, você tem ideia do que é isso?
Enfim, quando fui me sentar para jantas reencontrei 2 dos canadenses de Roncesvalles, mas acabei jantando mesmo com Markus, um casal britânico que fiquei sem saber o nome e 3 espanhóis que também não sei os nomes (2 de Barcelona e 1 da Galícia). Achei graça desse cara da Galícia quando soube que eu era brasileira, dizendo ele que ia me sentir bem melhor já que entenderia o que eles falam e tal, já que falam português por lá, mas português de Portugal que para mim e nada é absolutamente a mesma coisa. Cheguei a dizer isso a ele, mas ele não acreditou. No meio da conversa o telefone dele tocou ele atendeu e, de fato estava falando diferente, quando desligou vira para mim e diz “era minha esposa, estava falando com ela em galego, deu para entender?”. Óbvio que não ia dizer que não tinha entendido zorra nenhuma, discussão inútil, preferi responder que não estava prestando atenção na conversa dele, que não era educado. Comi nessa noite macarrão para variar, picadinho de carne, doce de maçã além, é claro, do pão, vinho e água.
Depois do jantar, com o frio que estava sentindo, decidi que tinha de comprar umas roupas mais quentes e se possível hoje mesmo. Foi aí que minha relação com o hospedeiro deu uma melhorada. Fui perguntar a ele se tinha alguma loja na cidade, como não tinha, perguntei se algum taxi poderia me levar em alguma cidade para que eu pudesse fazer compras, ele disse que tinha, mas que não valeria a pena eu gastar a grana que ia gastar com o táxi se amanhã poderia comprar na próxima cidade. Além disso, ele me garantiu que talvez nem necessitasse de roupa mais quentinhas já que aquele frio não era normal e recomendou que eu verificasse a previsão do tempo das próxima cidade que passarei e me passou o site. Daí eu disse que ok, também estava achando estranho já que em lugar nenhum falava de um frio desses em Maio, mas que pelo menos uma luva impermeável eu precisava comprar já que dá chuva eu já tinha ouvido falar. Ele achou difícil eu achar alguma coisa de inverno para comprar já que, teoricamente, estamos na primavera. De todo modo, ele anotou o nome do lugar onde encontraria lojas, me apontou no mapa de altutitude meio “mas ó, você não passará por aqui” foi quando ele colocou o dedo logo em cima da parte sobe e desce do mapa, aí eu disse “tá ótimo! é disso que preciso, nada de sobe e desce e os meus joelhos agradecem”. Fui na sala onde ficavam os computadores, mas voltei para sentar e esperar já que estavam todos ocupados, daí ele “você vai entrar na internet só para ver isso?”, como confirmei ele se ofereceu para olhar do celular. A sim, no outro prédio não tinha internet hehehe
Depois disso, fui me preparar para a dormida mais fria até então, nem a técnica do casulo adiantou.

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2 Comentários

  1. Clara said,

    08/05/2010 às 14:55

    Aqui já esta resumido d+, não gostei!!


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