Olha o cuco!

Acordei na esperança de que o Lactopurga tivesse funcionado, mas nada. Fiquei preocupada com duas coisas: ou ele poderia fazer efeito num momento inapropriado ou não fazer o que me preocuparia também tendo em vista problemas recentes dessa ordem feminina-activiana, por assim dizer. Enquanto tomávamos café, colocamos as roupas que não haviam secado direito na noite anterior mais uma vez na secadora de roupas. Saimos por volta das 8:00. Como nosso albergue estava em cima de um morro, meio fora da rota com as setinhas, para não termos de descer para seguir o caminho certo, perguntamos para o hospitaleiro como pegava o caminho dali pra frente. Eles nos orientou e, por ser uma “caminho alternativo”, seguimos só nós quatro pelo caminho. Adriano que tinha cogitado em ficar mais um dia em Puente La Reina resolveu caminhar com a gente. Antes de chegar à primeira cidade, Marquesete e eu ficamos para trás por conta das fotos que estávamos tirando. Não sei se pelo conversê ou má sinalização mesmo, pegamos um caminho errado para entrar na cidade, mas acabamos consertando sem grande perda de tempo. Encontramos Gabi e Adriano na padaria já comendo e socializando com outros peregrinos. Como tinha Gatorade entrei para comprar, quando saio para me juntar ao grupo olha o Lactopurga fazendo efeito aí gente! Pergunto se tem banheiro, mas não tinha. A mulher me indicou um bar que ficava mais abaixo, falei pro pessoal que precisava ir até lá. Fiquei torcendo para que não embarreirassem a utilização do sanitário porque não vi nenhum outro comércio por perto. Por sorte pude utilizá-lo e era limpinho. Óbvio que não entrarei em mais detalhes, mas o fato é que descobri da pior forma que as descargas espanholas não são lá muito fortes, mas tudo bem, fora o constrangimento, tudo certo.

Marquesete, eu e Gabi

Quando voltei para onde o pessoal estava só encontrei Gabi e Marquesete, pois Adriano tinha decidido não esperar, mas acabamos reencontrando com ele antes um pouco de chegar em Vilatuerta.

Eu, Gabi, Adriano e Marquesete

Conhecemos Joaquim um espanhol de Barcelona gente boa, super conversador, mas que não conseguíamos acompanhar, andar rápido demais. O dia estava muito bom, fez sol por boa parte, só começo ou recomeçou a chover em Vilatuerta e a danada foi com a gente até Estella. Na hora que parei para colocar a capa de chuva, um espanhol mala começou a querer saber o porquê de tantos brasileiros no caminho, mas assim, parecia que ele estava incomodado com a coisa, sei lá, cara chato!
O acontecimento do dia não foi termos ouvido o cuco pela primeira vez, mas a reação de Gabi, explico. Estávamos nós três caminhando alegres, contentes e faceiras em fila indiana (Gabi na frente, eu no meio e Marquesete atrás) quando toda emocionada grito:
– Para! Para! Olha o cuco!
E Gabi diz diminuindo os passos e levantando os pés:
– Quê? Pisei?
Marquesete que tinha entendido e eu nos acabamos de rir e, em meio às gargalhadas explico que era o pássaro e não cocô.
Tenho que reconhecer minha culpa porque, afinal, não vimos o cuco só ouvimos, mas tudo bem, sorry Gabi, mas que foi super engraçado a isso foi!
Chegamos nos arrastando em Estella, isso já está virando um hábito, na verdade… Albergue municipal cheio, albergue paroquial (donativo) idem e o particular, sabe-se lá o porquê estava fechado e só abriria na segunda-feira.

Nosso puxadinho

A nossa sorte foi que o padre nos acolheu e os outros peregrinos retardatários num prédio ao lado da igreja. A igreja ficava uns 200 metros do albergue e o único problema foi que não tinha chuveiro lá onde ficamos e por conta disso tivemos de ir para onde íamos dormir deixar as coisas e pegar as coisas do banho para voltar ao prédio onde demos entrada. Ah, tava frio e, apesar de não estar chovendo forte, ainda chuviscava um pouco.
Quando voltamos para deixar as coisas e ir comer chega em nosso quarto Flávia e Carlos mega cansados e, pelo que entendi, ela não estava lá muito bem das pernas (literalmente).
Antes de poder comer (o verbo é esse mesmo), paramos na farmácia e foi uma farra de curativos, esparadrapos, vaselinas, álcool de romeiro e tentativa frustrada de quase todos de comprar umas joelheiras, mas como não estavam adiantando muita coisa ninguém comprou. Até Regina e Paulo reapareceram na farmácia também. Quer encontrar peregrinos, farmácia é o lugar, não só pela sua necessidade um tanto que óbvia para alguns, mas, principalmente pela sua escassez em alguns pontos do caminho. Fiquei mega feliz porque encontrei o protetor auricular com a cordinha, o must! Comprei curativo e vaselina também (9,80€)
Marquesete saiu com Gabi pra comprar uma papete para ela, pois um dos dedões do pé estava bem feio e com a bota só ia piorar.

Cartaz super comum nos restaurantes por aqui

Depois que sai da farmácia encontrei com Flávia em frente de um restaurante, mas, pra variar, só serviriam o jantar dali a 1 hora mais ou menos. Fui num mercadinho que tinha na frente, depois fui dar um role pelo centro próximo pra tentar encontrar as meninas, mas acabei encontrando Adriano que também não as tinha visto. Voltamos pro restaurante e pouco tempo depois não só as meninas chegaram como Elias, meu salvador do Alto do Perdão e o trio mineiro. Fiquei sabendo por Elias que no mesmo jornal que falava do Maio mais frio dos últimos 130 anos, havia outra matéria que citava uma brasileira que preocupou os amigos que chamaram a polícia, quem era a brasileira? Dona Gabriela! E ela nem me contou isso quando falei da manchete que tinha visto, mas depois que Elias contou, ela explicou o que aconteceu. Enfim, no fundo foi um mal entendido, por assim dizer.
O Menu do Peregrino de hoje custou 10€ e foi composto de: salada, frango (pura gordura), vinho e flan, pedi uma coca-cola também. No mercadinho comprei: 1banana, 2 tangerinas, 5 mini bolos, 1 saco de taboca, 1 suquinho de laranja, 1 croassant, 1 saco de pistache e 3 biscoitos Milk Bar deli deli (7,80€)
Depois da janta voltamos pro nosso puxadinho e quem nós encontramos? Raí, primo de Gabi com os outros cariocas, Lu, Adriana e Ricardo. Nem cheguei a conversar com eles porque tinham acabado de chegar e estavam indo comer e eu estava indo dormir.
Uma coisa curiosa: o prédio que ficamos, pelo que pareceu, é o lugar onde os jovens e crianças da igreja frequentam. Tinha computadores, jogos e outras coisas que dava a entender que a catequese acontecia ali. Na sala com os computadores tinha uma pintura que, para mim, era bem interessante, a primeira santa ceia que vi onde Judas está especificado, por assim dizer. Achei bem bacana!

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2 Comentários

  1. Clara said,

    13/06/2010 às 12:37

    Várias perguntas para esse post:
    • A maioria dos pelegrinos eh, realmente, brasileira, como o espanhol comentou? Ali vc só falou de brasileiros…
    • O que aconteceu para a tal “Gabi” ter saído no jornal?
    •Ainda não consegui achar o post sobre esse salvador Elias (pelo menos não me lembro)
    • Eh normal ter mais pelegrinos do que albergues? Se não fosse o padre, onde vcs dormiriam?
    Responda por email! Beijos!

    • Carla said,

      13/06/2010 às 19:00

      Respondendo as perguntas aqui e por e-mail, vai que mais alguem tem as mesma dúvidas =P
      1)Não, a maioria não é brasileira, tanto que depois umas outras pessoas quando me conheceram disseram “nossa, vc é a primeira brasileira que conheço”
      2)Well, Gabi se retou lá com não sei o quê (não vem ao caso) e saiu andando na frente do povo que estava com ela, o povo não percebeu. Qd eles chegaram num albergues e ela não estava (tinha ido pra um outro) ligaram pra polícia pra informar o “desaparecimento” dela. Qd ela deu entrada no albergue daí, pelo número do passaporte identificaram ela, avisaram pra polícia e foi isso.
      3)Foi o que tem as fotos dos pés cheios de lama
      4)É normal sim assim como é normal esses locais improvisados, normalmente ginásio de esporte da cidade e tal, mas se a pessoa não quiser ficar no ginásio pode tentar os albergues particulares, pensões, hotéis, etc


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