Eu, meu chapéu e meus pins

O povo madrugou. Acordaram antes das 6. Acordei preocupada com o meu mini-massageador-sucesso que caiu durante a noite por conta do colchão menor que a cama. Graças a Deus, apesar de uma pequena avaria, continuou funcionando.
Quando me levantei, Flávia e Carlos já tinham saído, Marquesete e Gabi estavam arrumando as coisas. Achei que elas nem iam me esperar, mas na verdade quando sair do quarto elas estavam arrumando as coisas do lado de fora. Adriano, mais uma vez, não sabia se ia ou se ficava.

Marquesete, eu, o padre de Estella e Gabi

Fomos para o albergue tomar café, isso mesmo. Albergue com café na base do donativo, tem como não amar e ajudar? Acabei deixando o pacote fechado de granola por lá. Ah sim, vale o reconhecimento: café mais reforçado que já vi porque, além do café, suco, pão e geléia, tinha cereais também.
Saí com Marquesete porque Gabi resolveu esperar Rai. Foi bem divertida a caminhada de hoje. A começar com a fonte de vinho logo na primeira hora de caminhada. Eu estava com uma garrafinha, mas não enchi. Já tinha fila para o povo tirar foto e provar da fonte, o semancol e o bom senso mandam ser breve especialmente depois de ler uma mensagem do tipo “para provar, se quiser levar compre” ou coisa assim. Fiquei besta com um italiano que sem o menor pudor ficou lá bombeando vinho para o cantil dele.

A Fonte de Irache

Assim, sendo muito sincera, se o vinho ainda fosse bom talvez valesse o constrangimento, mas do jeito que ele é, é mais farra e pose para foto mesmo. O mais legal foi agora enquanto escrevo achar um blog que diz “…”Fonte de Irache”, construída em 1991 pela bodega do mesmo nome com a intenção de oferecer aos peregrinos, gratuitamente, todo o vinho que pudessem beber.” não é bem assim. Quem quiser pode ver a foto aqui. Desconfio que colocaram a câmera para inibir os “sem-noção”, mas como era cedo, nosso amigo italiano ficou lá bombeando e na maior cara de pau vira e diz “não tá saindo quase nada”, enfim.
Seguimos nosso caminho com alto astral, conversando e rindo. Dei muita risada com a história que Marquesete contou do “Atari de cocô” que um peregrino havia contato no Orkut, na verdade foi uma crise de riso das duas. O pior foi ver o povo passando pela gente com cara de poucos amigos, juro, isso acontece, tem muita gente mal humorada no caminho e nosso exemplo mor veio em seguida…
Estávamos chegando em Azqueta no esquema eu tirando foto de Marque e ela de mim quando avistamos no alto do morro um italiano descendo todo troncho, passamos as técnicas de descidas aprendidas no caminho: zig-zagueando, de lado, de costas, ele disse que o joelho estava ruim mesmo e que nada adiantava. Quando ele chegou no ponto onde estávamos perguntei se ele poderia bater uma foto nossa, ele disse que sim, pegou a câmera, bateu e, quando agradeci pegando a câmera da mão dele ele responde: “De nada, mas não me peça novamente” (toin!). Não estou de sacanagem, Marquesete é testemunha do coice. Quase perguntei se ele queria que eu apagasse, mas, diante da escassez de foto em conjunto, dei as costas e largamos ele lá com o mau humor e a péssima energia dele, afff.

Marquesete e eu na foto da discórdia

Paramos para descansar e fazer um lanchinho em Arqueta, tudo que estava com a gente já que o bar local estava fechado. Na saída reencontramos Gabi, Rai e Adriana. Ouvimos o cuco mais uma vez, peguei a câmera para tentar gravar, mas não lembrava como fazia filme, quando me viro para perguntar se alguém sabia vejo Rai filmando com a câmera dele. Nota metal: cobrar de Rai o filmezinho!
Quando chegamos a Villamayor Monjardin, os cariocas que não haviam descansado resolveram parar e segui com Marque. Na saída da cidade tivemos a visão daquelas que você abre a boca, faz ah? embasbacada e depois de segundos de transe olha para a cara da pessoa ao lado e pergunta o que foi aquilo. Pois é, foi exatamente isso: vimos um príncipe lindo num cavalo branco como que acabado de sair de um conto de fadas. Ainda bem ter Marquesete como testemunha mais uma vez (risos). O trecho até Los Arcos é descampado e no meio do nada.

O "príncipe"

Depois de um tempinho caminhando, encontramos uma pedrinha e uma árvore, sentamos, fizemos lanchinho e revimos pela segunda e última vez o cavaleiro.
O clima deu uma melhora considerável. Guardamos a capa de chuva, tiramos casacos e, pela primeira vez até então, tirei as perninhas de minha calça.
Reencontramos Joaquim de Barcelona que mais uma vez passou andando rapidinho pela gente, Marquesete se tornou a primeira pessoa a achar que falo num “volume” bom, mas depois me explicou o porquê, vimos uns outros ciclistas malucos que pararam a bicicleta do nada para escalar um monte gigante de feno e nos desesperamos pela ausência de civilização e a esperança de Los Arcos aparecer “logo depois daquela curva”, foram muitas curvas…

Sério que pensei que era depois daquela curva

Ficamos no albergue municipal de Los Arcos (4€) que fica ao lado da Casa de Cultura. Sofri com o banho que ficava quente-frio, mas assim, muito-quente-muit-frio, um saco! Lavei umas roupas aproveitando que estava um sol bom e, no indo e vindo de um prédio ao outro andando rápido, nada demais, um cara vira que estava sentado do lado de fora pergunta se não estava com dores e/ou problemas nos pés e/ou pernas, respondi que não e logo me lembrei do cara do Zorra Total dos olhões, sério!

Los Arcos

Uma coisinha que gostaria de compartilhar com vocês. Não é porque a pessoa é peregrina que tem de ser porca e fedida. Vi gente deitando com a calça toda cheia de lama na cama (olha a importância do saco de dormir), fora o fato de não lavarem a roupa, lama para deixar a roupa daquele jeito pegamos uns diazinhos atrás; e tive a “sorte” de ficar ao lado de um dinamarquês, mas mais do que isso, de sua bota mega fedida. Esguichei meu Tênis Pé com vontade na bota dele (olha a boa ação peregrina) e chutei pra debaixo da cama dele.
Como chegamos cedo, decidimos comprar umas coisas e cozinhar no albergue mesmo para não ter de esperar até não sei que horas para comer. Comprei (25€): macarrão instantâneo (já odeio no Brasil, não sei o que me fez pensar que aqui seria diferente, mas tudo bem), 1 tomate que valia por uns 3, coca-cola, chocolate, suco de laranja, damasco, 2 bananas, 2 pins e 1 chapéu, pois minhas orelhinhas sofreram com o sol em cima delas.
Los Arcos foi o marco de uma tradição: eu, meu chapéu e meus pins.

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2 Comentários

  1. Clara said,

    13/06/2010 às 12:59

    Oie!
    Não consegui ver a foto da fonte de vinho… Outra coisa, quero ver a foto do príncipe!!!!

    Beijos

    • Carla said,

      13/06/2010 às 18:49

      Não conseguiu ver as fotos pq não coloquei
      hahahaha =P


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