Bom dia só se for para você

Só digo uma coisa: não tirei nenhuma foto do caminho. Bastaria isso para se ter uma ideia de como foi o dia de hoje… Pretendo pegar fotos dos álbuns dos outros assim que possível porque passei por uns negocinhos que nem vi direito, mas tudo bem.
Levantei cedinho, Marquesete e eu começamos a caminhada umas 6:40. Logo na saída de Los Arcos reencontramos Regina e Paulo. Estava garoando, mas não estava frio, por isso me tornei um cuscuz ambulante, nessas horas o poncho é melhor que a capa. Se pudesse encontrar algo super leve recomendaria os dois, capa para as chuvas mais fortes e dias mais frios e poncho para dias quentes com a chuvinha chata.
Lá pelas tantas, cada qual com seu ritmo, nos separamos. A medida que caminhava a irritação me acompanhava e ficava cada vez maior. Não estava vendo sentido naquilo. A chuva aumentou e com isso a lama e o barro no caminho, fora o problema de se caminha nessas condições, a trilha em alguns trechos era estreita e se escorregasse era morro a baixo. Como se não bastasse, tudo isso beirando a estrada e em alguns momentos seguindo no acostamento mesmo. Minha irritação foi a falta de opção. Poderia ter alguma informação do tipo “Na chuva, vá pela estrada” porque daí vai ao morro correndo o risco de se estabacar morro a baixo quem quiser, sei lá. Foi uma pena não ter visto ninguém andando pela estrada, porque também tem isso, não sabia se ia dar no mesmo lugar, por isso acabei com a lama mesmo e com a irritação das grandes de quebra. Sério, até então, apesar dos pesares (e não foram poucos) aguentei e fiquei de boa, mas hoje… Pela primeira vez me perguntei “que zorra eu tô fazendo aqui? Cadê a magia dessa merda?”.
Enfim, como forma de não pegar o primeiro avião de volta para casa, resolvi que ficaria em Viana. Com isso meu foco era só c.h.e.g.a.r. Passei como um foguete por Regina, Gabi e Rai, detalhe, Gabi e Rai tinham saído de uma cidade depois de Los Arcos e eu os passei. O resultado disso como já disse, foi foto zero, uma semi-caimbra e chegada em Viana às 11:30 acompanhada de uma dor de cabeça infernal.

Da porta de meu quarto

Por ter madrugado, cheguei e o albergue estava fechado. Não aguentei e fui para um hotel que tinha lá perto. Isso mesmo. Fiquei num hotel, paguei um valor 10 vezes maior que a média dos albergues (no cartão), mas ao chegar no quarto não só pude colocar meus pés em água quentinha como o corpo inteiro, pois tinha uma banheira maravilhosa só para mim. Resolvi que me darei a esse luxo quando achar necessário, quem sabe aos domingos. Se até Deus descansou no sétimo dia, não acho que seja pedir demais isso para mim. E se não concorda guarde seu comentário para você (disse que não estou bem hoje). Tem um povo caxias dos infernos que fica com um discurso imbecil de querer fazer a caminhada como os peregrinos de antigamente. Que eu saiba botas especiais, mochilas com respiradores, albergues etc. não fazia parte da realidade dos peregrinos de antigamente, mas tudo bem.
Saí outra pessoa depois de meu relaxamento na banheira, mas a câimbra, distensão sei lá o quê, ainda incomodava e, no pacote “hoje posso tudo” resolvi marcar uma massagem. Marquei. Aproveitei para colocar a roupa para lavar também. Como a massagem era só às 15, resolvi dar uma volta pela cidade, fui à farmácia, comprei uns pães, vi crianças brincando nas ruas pela primeira vez desde que cheguei e tirei algumas fotos só para constar. Viana é uma cidade muito bonitinha. As ruas estavam cheias, na verdade não passei por muitas, só fiquei pelo centro mesmo e imagino que a “multidão” tenha sido por conta da missa.

A multidão em Viana

Resolvi almoçar no restaurante do próprio hotel para não ter de ficar rodando. Bad idea! Demorei a ser atendida, tive de reclamar com a mulher do hotel, quando finalmente sento, mau atendimento, gritaria no local com uma excursão de 40 pessoas de Sevilla que falavam mais alto que o povo de minha família e, para completar, quando finalmente acho um lugar que tinha paella no Menu do Peregrino ela veio com UM camarão e um peitinho de frango, de pintinho na verdade. Fui para o quarto e Verónica já me esperava para a massagem. Good Idea! Musiquinha relaxante, inceso, massagem forte do jeito que gosto e massagista super simpática.
Só não teve um final mais tranquilo e feliz porque entregaram minha roupa quase às 22 e as meias estavam úmidas. Nada que um secador não resolvesse, que na verdade não resolveu, deixei em cima do abajur ligado que era daquela luz amarela quente. Paciência. Bem estar de meus pés em primeiro lugar.

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2 Comentários

  1. Clara said,

    13/06/2010 às 13:10

    Engracado eh ler este post logo após de ler seus comentarios sobre o italiano mau humorado…

    • Carla said,

      13/06/2010 às 18:41

      Pois é, vai ver foi a energia ruim dele que passou pra mim =/


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