Depois da tempestade, a bonança (só que ao contrário)

Sim. Hoje definitivamente não foi um bom dia. O pior que, apesar da chuva, prometia.
Acordei as 7:30, arrumei as coisas, tomei café e saí às 8:40 embaixo de chuva fina e um dia super frio, mas até então estava ok porque estava com meu guarda-chuva recém adquirido nas coisas que os peregrinos deixam para trás.
O problema começou a aparecer pouco depois, antes de percorrer os 8,98 km até Belorado. O pé começou a doer muito, comecei a pensar na possibilidade de fazer um trecho a pé o que me causou grande decepção. Quem não passou por isso aqui não vai entender, eu mesma não entendi quando li no Blog de Taila a tristeza dela ao fazer um trecho de ônibus, enfim, quem passou por aqui vai entender o que quero dizer e quem for passar entenderá. Com isso cheguei aos prantos (não soubrou ninguém da turma sem chorar, Marquesete) no albergue de Belorado, A Santiago (5€). Ester me recebeu super carinhosamente, quis saber qual era o problema e ficou tentando me acalmar. Ligou para um rapaz que viria me buscar para me levar no hospital da cidade para que um médico avaliasse o que de fato eu tinha para que não ficasse tomando remédio a toa. Ainda assim, Guylaine, uma farmacêutica canadense, que estava sentada numa mesa ao lado, me deu um comprimido de sei lá o quê. Disse que entendia o que estava sentindo porque ela teve de pular duas etapas por dor também, no caso dela nos joelhos se não me engano, enquanto que as três amigas que faziam o caminho com ela não tiveram absolutamente nada. Agradeci o remédio, lamentei o caso dela e fiquei no restaurante depois sozinha esperando o carro depois que ela saiu para sei lá o que.
Pouco tempo depois Miguel chegou para me levar ao médico. Dei entrada na recepção e, enquanto esperava para ser atendida, encontrei outros dois peregrinos brasileiros, Ivone e Rubem de BH (ela é baiana na verdade, mas mora a três anos em BH). Eles também estavam com problemas nos joelhos e nos pés e ela pra completar uma dor na cabeça. Eles foram chamados uma médica e logo depois outra me chamou.
A notícia boa: não é tendinite! Minha dor é bem mais abaixo de onde deveria ser para ser a tal inflamação. De todo modo ela me passou ibuprofeno. Mostrei o que tinha e ela me disse que teria de tomar um mais forte, que aquele que tinha era infantil, piriaí?!? Recomendou repouso e perguntei se a “semi” palmilha de silicone ajudaria à amaciar e melhorar o que estava sentindo e ela disse que sim.
Sai de lá e fui para o bar onde Miguel falou para eu pedir que ligassem para ele me buscar. Enquanto esperava fui na loja de souvenir ao lado e, dentre outra coisas, comprei um pin da Hello Kitty peregrina. Vocês não fazem ideia da coisa fofa que é.
Quando Miguel chegou perguntei da farmácia e ele me levou, detalhe, era quase que dentro do hospital e eu não vi, mas tudo bem. Reencontrei os brasileiros que me disseram que o caso de Ivone em particular é bem sério, se já não está, o tendão de Aquiles dela está quase que destruido, imagine a situação, coitada… Comprei meu remédio e a “semi” palmilha e voltei para o Albergue.
Qual não foi minha alegria quando reencontrei as dinamarquesas que ficaram comigo no albergue de Cirueña. Anne-Liz disse que ficaria aqui no Albergue também, mas Kate e Alice seguiriam só não sabiam até onde, mas de qualquer forma amanhã voltariam para casa. Que pessoas de astral maravilhoso! Trocamos e-mails, fiquei de passar o link de meu álbum virtual para elas. O engraçado é que nos conhecemos há apenas 2 dias, mas quando as reencontrei parecia bem mais tempo.
Depois de ter finalmente me acomodado no quarto (quando cheguei ainda estavam limpando) fiquei de bobeira pelo albergue, aproveitei para lavar roupa e colocar na secador já que, com esse tempo, é impossivel secar naturalmente.
Como fiquei por aqui pertinho de Santo Domingo decidi dar um pulo lá para comprar minhas coisinhas e aproveitar para ir ao banco. Dei um tempinho até o horário das lojas estarem abertas e fui de taxi até lá. Ia de ônibus, mas com a chuva e a falta de vontade de andar, decidi me dar ao luxo até porque eu fui e voltei com o mesmo. Chego na cidade e adivinha, t.u.d.o fechado, sim, eles ainda comemoram o dia do santo, dá pra acreditar num negócio desse? Portanto, para não reescrever, releiam o parte em negrito do post anterior, please!
Como se não bastasse, ao tentar utilizar meu cartão provisório do banco, recebi a mensagem ” entre em contato com seu banco” e com isso tive de tirar dinheiro do cartão de crédito. Pense no que o Itaú vai ouvir, olhei atrás do cartão para ver um número que pudesse ligar e, simplesmente estava escrito “Valid only in Brazil”, não, é respirar fundo e contar até dez porque quando tive de pedir esse provisório eu tinha dito que estava vindo para Espanha e me garantiram que eu poderia sacar se precisasse, quem mandou não olhar atrás do cartão?
Voltei para o Albergue, a corrida deu 25€.
Aproveitei o tempo para lavar roupa e enquanto esperava conheci Fernão de Campinas.
Para completar, minha garganta que já tinha dado sinais de que ia ficar ruim, piorou e agora estou completamente sem voz, uma beleza. Alguém dá uma benzida no ser que vos escreve, mesmo que à distância porque vou te contar, não está sendo fácil… Rai ai, só rindo porque acabei de me lembrar daquela musiquinha de Kátia “Não está sendo fácil, não está sendo fácil. Não está sendo fácil viver assim…”, podem rir também, eu deixo.
Depois disso cá estou atualizando vocês desse mais um dia chuvoso e mega frio na Espanha. Sim, porque não basta chover tem de fazer 3ºC com sensação de muito menos, nem no dia da neve senti tanto frio. Pra piorar nem consigo comprar roupas quentinhas porque as lojas já mudaram para a coleção primavera-verão, piriaí?!?! E sim, previsão de mínima de 2ºC amanhã, quer mais ou tá bom? O bom que com isso a mochila fica leve já que estou praticamente todas as minhas roupas (exagero a parte, quase tudo sim).
Já degustei o Menu do Peregrino aqui do albergue (10€) e devo dizer que estava bem bom! Fui atendida por Pilar, Pile pros íntimos, um amor de pessoa também, super simpática.
Quando estava indo para o quarto resolvi perguntar novamente se não tinha realmente um moletom que servisse em mim, a moça (que não lembro o nome) achou o G qeu ficou ótimo. Amei tanto ficar quentinha! Se bem que poderia ter ficado quentianha mais cedo, mas tudo bem.

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7 Comentários

  1. Sergio Mariano said,

    13/05/2010 às 14:49

    Caramba, menina! Com este frio, só usando luvas, “segunda pele”, camisas como cebola (uma por cima da outra!) e gorro, além, naturalmente, de estacionar várias vezes em algum Bar e pedir um maravilhoso : “Orujo con Hierbas” !!! É uma delícia!!! Já experimentou? :o))
    ¡Sus! ¡Eia!

    • Carla said,

      16/05/2010 às 5:38

      Se comi não estou ligando o nome a “pessoa” hehehe
      Com minha memória ruim do jeito que está ultimamente, vou ver se lembro de pedir da próxima vez.
      Agora o problema maior nem é o frio em si, é mais a maldita da chuva mesmo que deixa o que está ruim pior ainda =/
      Mas vamos que vamos ver até onde chego nesse ritmo…

  2. josé roberto dodl said,

    13/05/2010 às 20:19

    Amiga, sobre todos esses problemas que vc. estah enfrentando, de um modo geral todos, ou quase todos tambem passam por isso. Claro, que tem peregrinos que passam incolume por todos os obstaculos que o Caminho impoe, mas nao eh a regra! Talvez fosse uma boa vc. diminuir bem a quilometragem diaria. Tomar onibus nao eh desonra pra ninguem, eu e minha mulher, nunca fizemos segredo disso, pegamos onibus, taxi, etc. e ao inves de 800 km caminhamos em torno de 500 e ficamos felizes (fizemos tres vezes o Caminho Frances). Esse negocio de cumprir as etapas mencionadas em proza e versos nos guias penso que nao eh legal. Cada um tem seus limites, neh amiga? Abracao e estou adorando seus relatos.

    • Carla said,

      14/05/2010 às 13:58

      Sim sim, nem me preocupo mais com isso, hoje é um novo dia…
      Como disse Kate, a frase “sem dor não há recompensa” apesar de engraçadinha não tem de ser verdade.
      Previsão de mais frio para amanhã, não vou me estressar e se o tempo estiver ruim, ônibus mesmo e paciência, nem eu nem ninguém que está por aqui agora esperava esse frio todo…

  3. André said,

    13/05/2010 às 21:16

    Oin amor!
    A vantagem de estar frio assim é q não precisa por gelo no pé por causa da dor =P

    Enfim, vc sabe seu limite, sabe até onde pode chegar. E eu sei q vc tem vontade de sobra pra fazer a caminhada, mas não é vergonha pular etapas em casos de saúde! Imagine seu pé ficar como o de Ivone?
    Bom, melhoras a vc e tb a Ivone.
    E pegue endereço dessas dinamarquesas para visitarmos depois =P
    Beijos, amo vc

    • Carla said,

      14/05/2010 às 13:59

      Claro que peguei o contato delas 😉
      Beijinho e amo vc!

  4. Clara said,

    19/05/2010 às 19:38

    CaRla, menina, se cuide!!!
    Estou atrasada nos posts, mas já já eu me atualizo!!
    Beijos!


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