Comosapiens e a melhor comida ever!

Acordei, mas fiquei enrolando para levantar porque não tinha dormido direito com os malditos roncos e porque não estava com pressa mesmo.
Resolvi que pegaria um ônibus até Atapuerca que é o lugar onde deveria dormir no dia de hoje pela contas que fiz e pelas que refiz também.
Tomei café e fui até o local onde me orientaram para pegar o ônibus. Uma g.a.l.e.r.a de peregrinos lá esperando o busão e eu noiada por não estar fazendo a coisa direito, sei…
Enquanto esperava o ônibus conversei com umas alemãs que me perguntaram onde eu ia ficar, disse que em Atapuerca, daí uma francesa que estava lá perto veio me dizer que o ônibus não passava por lá que eu, assim como ela, teria de descer em Santovenia de Oca e andar até Atapuerca. Não estava contando com essa, quase mudo de ideia e vou de ônibus até Burgos. Por sorte não fiz isso e já já entenderão. Voltando à francesa… Como ela estava entendendo o que estava falando? São marrentíssimos as pestes, não dão o braço a torcer. Vão falar em francês sim! Usar mímica se for o caso, mas não vão facilitar a sua vida caso pudesse falar em algum outro idioma. Me recuso a acreditar que, de todos os países da Europa, a França é o único lugar onde as pessoas não apredem algum outro idioma, não é possível!
Voltando à viagem de ônibus… Estava frio, muito frio! O termômetro que tinha dentro do ônibus chegou a marcar 2°C e passamos por árvores cobertas de neve.
Desci na N-120 a 1 km de Santovência de Oca conforme orientação da francesa. Andei mais 3,810 km até Agés e mais 3,115km até Atapuerca.
Cheguei às 11 horas, mas o albergue estava fechado e só abriria às 13:00. Fui à padaria tomei um suco de laranja, depois fui ao bar telefonar para André e por fim fiquei fazendo hora no centro de recepção de visitantes. Eles oferecem internet de graça, mas estava com problema. Comprei um botom (0,50€) e um guarda-chuva (10€) mais leve e mais gracinha que o que peguei no Albergue de Acácio e Orieta. O rapaz que trabalha no centro perguntou se não queria ver o vídeo institucional que fala das atividades arqueológicas da cidade. Achei bem interessante, não fazia ideia de que tinha isso por aqui, descobertas realmente importantes. Fiquei sabendo num dos mapas que peguei lá que a pontezinha qeu tinha visto no caminho entre Agés e Atapuerca e que tirei trocentas fotos é medieval, uma das mais antigas e que a marcação de caminho que vi próximo a ela na verdade é um caminho alternativo para Santiago.
Ao chegar no Albergue (8€) reencontrei Jilles e Silvia. Não esperava encontrá-los porque a etapa de hoje era até Burgos, mas tudo bem. Contei o que aconteceu comigo, perguntei se perdi muita coisa nesse trecho que pulei e eles disseram que não, só a neve o que, na verdade, foi ótimo ter perdido, minha garganta agradece.
Disse a eles do centro de recepção aos visitantes e das coisas que tem lá. Tinha uma exposição, um parque arqueológico e um passeio às escavações, mas esse só sai uma vez por dia pela manhã. Disse que havia agendado uma visita às 16 para conhecer o parque arqueológico.
Pela primeira vez em muito tempo almocei no horário de almoço. Fui ao restaurante próximo ao albergue o Comosapiens. Achei demais a sacada do nome com as atividades do lugar, sem contar o detalhe fofo para indicar os toiletes e mais do que isso, sem contar a comida f.a.n.t.á.s.t.i.c.a que comi lá. Sério, tirando o feijão de Orieta, tem sido sofrível a comida por aqui que, quando não são super normais, são mega sofríveis. Mas não no Comosapiens. Pedi um churrasco de ternera, pedi mais pelo nome, me lembrei de nosso churrasco, mas não tem nada a ver, é um bife de vitela, mas não era qualquer bife, era O bife com um molho de erva que dava um sabor e um aroma todo especial. Sério, fiquei fã! Ah, isso é no menu do peregrino, tá? Paguei por essa delícia (9,50€) e lá ainda aceitava cartão. Junto com a maravilhosa vitela, comi uma sopa de batata com chouriço e paprica e de sobremesa um mousse de iogurte natural que não dei nada quando pedi, mas, meu Deus do céu, outra delícia! Fica a dica! Mesmo que você não durma em Atapuerca (mas durma se dê que vale a pena) pare para almoçar no Comosapiens e pergunte do churrasco de ternera.
Sai mega feliz do restaurante e fui para o albergue passar o tempo até a ida ao Parque Arqueológico. Como estava muito frio, resolvi dar uma deitada em meu saco de dormir quentinho, mas o inevitável aconteceu: dormi e só acordei às 17 horas. Quando sai, Gilles e Silvia estavam voltando da visita, falei que tinha perdido a hora, mas eles disseram que ainda estava aberto e que um outro grupo ia começar a visita.
Andei mais 1 km (some mais 1 para a volta) e fui ao parque (4€) que era um parque mesmo, digo, era uma representação da evolução humana, de como cada homem em sua época vivia e algumas curiosidades como o spray rústico, a forma de comunicação e terminou com o fogo que a guia fez na hora como nossos antepassados faziam. Apesar de simples, achei bem bacana o passeio.
A noite, voltei no Comosapiens para repetir a dose do almoço, mas, para minha tristeza o churrasco de ternera tinha terminado (buá!), com isso tive de pedir um frango na cerveja que, apesar de bom também, não se comparava ao ternerinha.
Por falar no albergue… é arrumadinho, mas não gostei de 3 coisas: 1) paredes meio finas – ficava ouvindo a conversa do povo nos outros quartos e o abrir e fechar das portas; 2) dizia no panfleto que tinha internet, mas na verdade o que oferencem é conexão wi-fi – hello! tirando os japinhas (coreanos), quem mais levou computador na mochila?, quem quiser tem de ir no centro de recepção ao visitante que só tem uma máquina; e 3) o frio – não pude tomar banho porque estava impraticável tirar qualquer das milhares de roupas que estava usando. Depois de ter passado frio, acho que a ficha da hospitaleira (que só vi quando cheguei e paguei) caiu e resolveu ligar a calefação. Como, apesar da caminhada, não suei nem um pouco, fiquei sem tomar banho mesmo e Deus abençoe o Banho de Gato da Natura, mutio bom!

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