Hoje quase mando um pr’aquele lugar

Havia planejado sair cedão, mas, pra variar, fiquei acordada a noite toda e, na hora de levantar, o sono veio.
Saí às 8:00. Caminhada tranquila no meio do nada. Em Valtuille de Arriba fiquei conversando sobre política com o dono do bar. Não entrarei nesse mérito, mas foi interessante ter a visão socio-política da Espanha vindo de uma pessoa país, nem tudo são flores…
Parei no albergue municipal de Vilafranca del Bierzo para descansar. Conheci 2 espanhóis, o mais velho me ajudou com a dor nos pés enquanto o mais novo descansava com problemas no joelho. De lá fui ao Albergue Ave Fênix, carimbei a credencial e reencontrei o paulista de Campinas que havia conhecido com o trio no bar da Josefa (não lembro o nome dele). Ele disse que é amigo de Jesus e que estava há 2 dias lá no albergue ajudando, disse ainda que o trio passou por lá ontem e que ele deu uma carona para eles até O Cebreiro. Fiquei meio triste porque com isso era pouco provável que volte a encontrá-los…
Visitei o belo Templo de Santiago que fica ao lado do albergue..
Estava tudo bem até VFDB, depois, até Pereje, só foi estrada, estrada, asfalto, estrada e mais asfalto com uma dor no pé pra variar. Pedi penico, assumo! Liguei para um táxi já que hoje é sábado e o ônibus já havia passado e não tinha outra opção.
Enquanto esperava, comprei uma Coca-cola e um cara sentou ao meu lado querendo saber do caminho. Comentei que estava com uma dor no pé e que estava esperando um táxi para ir mais adiante quando ele ensaio um sermãozinho. Perguntei se ele já tinha feito o caminho e ele disse que não. Se não fosse o táxi que acabara de chegar juro que teria mandado ele enfiar o sermão num local mais apropriado, mas respirei fundo, ignorei e fui pro táxi bem feliz. Comentei com o taxista o que tinha acontecido e ele disse para eu relaxar que tem gente que não sabe o que fala e que ele sabia que os brasileiros só recorrem aos meios de transporte por necessidade mesmo. Olhe, você me poupe, um infeliz que nunca fez uma coisa dar sermão por alguém não estar fazendo direito, alow, alguém pelo menos está tentando!
Me retei e só por isso quis um calor humano e resolvi parar no Albergue do Brasil (5€+7€ pelo café da manhã). Itabira e Marilene de GO são muitos simpáticos, mas vale fazer algumas considerações. Achei o local aconchegante, tinha umas baianas e deve ser por isso que me senti em casa, sem contar que dormir na cama Salvador. Agora, achei os valores carinhos pela média do caminho, como o pé doía não fui dar um rolé na cidade e acabei comendo lá mesmo.
Depois da comida deliciosa de Orietta, criei uma grande expectativa porque Marilene havia adiantado que teríamos feijão no jantar. Tivemos salada de grão de bico com maçã, feijão, arroz, biscoito com doce de leite e amendoim por 13€, caro pela média e não valeu a pena pelo sabor. Só a sobremesa estava realmente boa. Saudade do feijãozinho de Orietta…
O albergue ficou vazio. Além de mim, tinha Robert da Alemanha, Nicolas da França (o francês diferente do caminho, interessando em outros idiomas, um fofo), Fábio da Itália e o senhor Cristovam da Espanha. O jantar foi bacana porque éramos poucos e rolou uma interação bacana. O senhor espanhol tem mais de 70 anos e estava fazendo o caminho pela décima de tanta vez. Comentei de meu pé e ele recomendou que eu despachasse a mochila porque a subida para O Cebreiro é muito puxada e eu não precisava desse sacrifício. Combinei com Itabira de despachar a mochila, mais uma vez, ouvindo a voz da experiência.

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