14,078 km também faz parte do Caminho

Saí de Portomarín às 7:30. Reencontrei no Café/Bar de Gonzar Nilsa e Dácio, Regina e Maria, Solange e as 2 amigas dela (Magali e Bete).
Hoje foi um dia um tanto quanto improdutivo, só andei 14,078 km e decidi parar às 13:00. Estava chovendo e nessas condições os pés sofrem mais.
parei no albergue de Ventas de Narón (10€). Aproveitei para colocar as roupas para lavar (3€) aproveitando que, apesar do tempo feio, havia uma parte coberta e estava com tempo para deixar seca com calma. Outra coisa que fiz foi almoçar (9€), o próprio albergue contava com um restaurante e não tive que me deslocar (também nem teria como nem para onde já que o lugar era minúsculo).
Quando cheguei conheci mais dois brasileiros inéditos até então, Ana e Nelson de Ribeirão Preto, eles estavam esperando um táxi.
Tive a grata surpresa que reencontrar com canadenses dessa vez acompanhados de dois americanos da Califórnia (Victória – a cara de Barbra Streisand – e Greg). Karen quando me viu, me deu um super abraço, disse que sonhou comigo e que estava preocupada com os meus pés. Tranquilizei dizendo que ia ficar ali para descansar e que andaria em meu ritmo para não forçar. Já desencanei de ir andando até Finisterre, quando chegar em Santiago cheguei e pronto, sem estresse.
Aconteceu algo bem engraçado, eles chegaram enquanto eu comia e Karen e Ron se animaram para pedir a comida também, as iam dividir já que era muita comida e eles teriam de seguir ainda. Mary, que é filha de espanhóis e fala espanhol, mais ou menos, mas fala, pediu um MP para eles, Karen tomaria a sopa, Ron comeria a carne com batata e ela comeria só um sanduíche. Quando a mulher veio servir achou que eram dois MP e veio com um mundo de sopa e dois pratos de comida. Mary ficou super chateada com o espanhol dela do tipo “poxa, falei em espanhol e ela nem entendeu o que eu queria”, enfim, demos risadas e eu nem pude ajudar na comilança porque a essa altura já havia terminado.
Não vou mentir que quando eles foram embora senti um vazio porque sabia que não voltaria a encontrá-los já que a cada dia nos afastaríamos mais… Enfim, coisas do Caminho, pessoas vem e vão, faz parte.
O dia ainda reservou um momento hilário. Enquanto cuidava de meus pés (coloquei-os descansando em água quente com álcool de romeiro) conheci uma alemã, Ingrid. Tudo bem que eu fiz curso de alemão, mas atualmente não é nada demais, como digo, é suficiente para que eu seja uma turista simpática na Alemanha e pronto. Para meu espanto Ingrid só falava alemão. Assumo aqui minha ignorância, na minha cabeça, tirando franceses, todos os europeus falavam sua língua mais o inglês, não foi o caso. Ainda assim tentei ter uma conversa com ela na base de mímica, alemão analfabeto e um guia de conversação alemão-espanhol que ela tinha. A gente riu da tentativa, mas não levamos também a diante porque chegou num ponto que ficou insustentável.
Outra personagem do dia foi a dinamarquesa Inga. Ela conseguiu me tirar do sério com a falta de higiene dela. Ela viu que coloquei minhas roupas para lavar, perguntou quanto paguei (deve ter achado caro) e decidiu que só um arzinho seria suficiente pr’aquelas roupas podres dela. Nada contra pessoas porquinhas, mas, a partir do momento que você vem com as roupas catinguentas e coloca em cima das minhas limpinhas… ahhhh pirei! Respirei fundo e tudo mais, mas sem cerimônia coloquei aquela inhaca longe de mim. o mais legal da história é que, como estava chovendo, as roupas não secaram, logo tivemos de colocar no quarto, que tal dormir com um odorizador natural dinamarquês? Não recomendo!
O último personagem de hoje foi o espanhol Pablo de Santander que conheci na hora de jantar. Informação curiosa: segundo ele, o verdadeiro Caminho de Santiago começa em Donostia e vai pela costa (Caminho do Norte), ele disse que o Caminho “entrou” por conta dos ataques do piratas do passado.
Ele comentou ainda que conheço um brasileiro numa de suas paradas que estava fazendo voto de silêncio. Ele acho curioso e eu desnecessário, mas tudo bem, cada um sabe de si…

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2 Comentários

  1. Clara said,

    06/03/2011 às 5:18

    Até q o dia não foi improdutivo, as pessoas com quem cruzou, pelo visto, valeram a pena!!!

  2. Carla said,

    07/03/2011 às 19:57

    Ahhh, certamente.
    Aprendi uma coisa com o Caminho, parece clichezão, mas tudo tem o porquê, quando achamos que perdemos alguma coisa, estamos ganhando outra, enfim.
    Essa paradinha foi fundamental para que eu pudesse terminar todo o caminho sem outro meio de transporte que não meus piez cansados =P


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