Game over

Hoje foi meu último dia no Caminho.
Reencontrei o pessoal de Santander, eles tiveram de andar mais do que haviam planejado porque não estavam achando lugar para os sete.
Na entrada de Santiago reencontrei Mauro e Sérgio. É muito bom esse tipo de surpresa que o caminho proporciona, esses encontros e reencontros.
Chegando em Santiago aquela coisa de cidade grande, andar andar prestando muita atenção para não perder as setas. A Catedral fica num centro histórico, por assim dizer, que me lembrou e muito o Pelourinho. Não que casinhas coloridas, mas tem aquela vibe, cheio de turistas, o povo querendo vender quinquilharia etc.
Almocei enquanto esperava a Oficina de Turismo abrir. Mais um mal-estar Carla X galego, termino de comer e peço para a garçonete um “helado”, repeti trocentas vezes e ela me olhando com cara de interrogação, apontei para o cartaz, ela pegou, apontou, quando afirmei que era aquilo ela me vem com um “ahhhhh, helado”. Não, sério, sem querer tirar onda nem nada, mas meu espanhol não é tão bizarro assim, me comuniquei perfeita e tranquilamente, mas foi chegar na Galícia… Muito chato!
Quando voltei para pegar a Compostelana, reencontrei Dácio e Nilsa.
Fui procurar um local para ficar, tudo cheio, mas consegui uma pensãozinha.
Devo dizer que fiquei bem feliz por ter feito todo o caminho de Triacastela até Santiago sem usar outro meio senão meus lindos e calejados pezinhos.
Devo dizer também que, infelizmente não fui picada pelo bichinho do Caminho. Achei os último quilômetros, pra não dizer toda a Galícia bem chata. Tudo cheio, tudo caro, as pessoas sem um sentimento e atitudes do início, sei lá, quem estiver lendo isso e não tiver feito o Caminho dificilmente entenderá, mas quem já fez, especialmente esse Caminho junto comigo. No fim das contas Manuel é que tinha razão, se é hoje jamais em hipótese alguma teria usado outros artifícios senão meus pés, teria aproveitado mais o c.a.m.i.n.h.o chegando ou não ao destino, não espero que as pessoas me entendam, até porque eu não entendi também, mas Santiago é só um destino… Enfim, não sei se estou sendo clara, mas de qualquer forma, só quem viveu para saber. Mas também não posso ser injusta, se não tivesse feito da forma como fiz não teria encontrado e reencontrado as pessoas que passaram por meu Caminho, que fizeram o meu Caminho.
Agora assuntos extra-Caminho:
Decidi que queria mudar os ares e fui comprar uns vestidinhos. Achei umas lojas com preços bacanas, mesmo em Euro. Passei por uma outra e vi uma bota de couro linda a um preço irrisório, quando fui passar o cartão ouvi a musiquinha “pon pon pon”, não passou e fiquei mega preocupa. Saí de lá, fui num caixa para tentar sacar algum dinheiro e nada. Voltei para a pensão já super preocupada, pra variar não me entendia com a velhinha, muito menos com o velhinho donos do local. A sorte foi a chegada de uma garota, não sei se filha ou neta que me entendeu e conseguiu para mim a forma de ligar a cobrar para o número do cartão no Brasil. Fica a dica: apesar de ter “ligue a cobrar…” o número é para uma ligação normal, logo, na dúvida, procure saber como se comunicar numa emergência. Fiquei das 21 às 23 horas para “resolver”. O problema foi que “comi” o limite de meu cartão com meus saques e não tinha mais o que fazer, o cara queria me disponibilizar extra-oficialmente mais crédito no cartão, mas não resolveria meu problema, precisava de dinheiro. Depois ele me disse que poderia solicitar o saque pelo Visa Internacional, falei com o povo do Visa que fizeram um procedimento para eu receber o dinheiro, oh, pense na confusão…
Estava mega agitada quando fui para meu quarto, a sorte é que tinha TV e fiquei me distraindo com um festival de música europeu que achei um barato: Eurovision Song Contest 2010 (56ª edição). É um festival de música que tem, creio eu, participante de todos os países ou quase todos. Achei uma pena não ter visto do início, parece bacana. UK ficou em último e a representante alemã (Lena Meyer-Landrut) levou o prêmio. O curioso é que quem ganha, leva a edição seguinte para seu país. Outro detalhe: todos os países se comunicavam em inglês, exceto os franceses, por que será que não me surpreendi?

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3 Comentários

  1. Clara said,

    06/03/2011 às 12:25

    Rapaz, além de não ter entendido sua conclusão sobre o Caminho, achei conpletamente sem poesia… Estava esperando um mega final, dizendo de valeu a pena ou não, contando a emoção (ou não) de ter feito o Caminho e chegado ao destino final…
    Não consegui entender, pela sua conclusão, se valeu, ou não, a pena!!
    Mas acho q, pelos outros relatos, deve ter valido, sim!!!

  2. Carla said,

    07/03/2011 às 19:53

    hahahaha
    A minha conclusão foi como escrevi, nada demais, nenhuma inspiração ou coisa do tipo, frustrante eu sei…
    Quanto a valer a pena, já tinha comentado em um post anterior, o C.a.m.i.n.h.o vale a pena. Acho que esperava demais o fechamento, posso não ter aproveitado alguns momentos, mas é isso.
    O Caminho em si valeu muito a pena, pelas paisagens que vi, pelas pessoas que conheci, pelo kilos que perdi, mas Santiago em sim, no big deal =/

    • Clara said,

      08/03/2011 às 0:07

      Só vi depois o último post sobre ter valido a pena!!!


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