Pirineus

Resumo:
7 horas Albergue Orisson – Roncesvalles
Gastos: 6€ albergue + 2,20€ para lavar e secar a roupa no próprio albergue + 4€ por 1:20 h na internet + 9€ jantar (menu peregrino)
Acontecimento: Neve pela primeira vez!
Dica: Protetor labial, luva impermeável, boa capa de chuva

Acordei as 6:30. Tudo bem que já estava acordada, mas um sem noção resolveu colocar despertador, me poupe! Acordei sem dores! E olhe que, pelas subidas medonhas, achei que as pernas iam doer, bem como as costas pela mochila estar mais pesada no que no dia do teste, mas NADA, graças a Deus!

A raspadinha do céu

Depois do café comecei minha sumida. Tive a certeza de como foi bom ter optado por fazer uma parte antes. Pense em tudo quanto é tipo de terreno, clima, tudo junto. Devo confessar, a minha emoção maior do dia: vi, peguei e fui coberta por neve, yes!!! Quando começou a nevar fiquei na dúvida porque não tinha nada no terreno. Foi engraçado, eu pensando em como ia explicar o que tinha sido aquilo aqui no blog já que não era chuva nem granizo, minha definição seria raspadinha hehehe, mas depois eu vi campo braquinho e tudo mais. Na verdade caiu de um tudo do céu: chuva, geada, granizo (mini, mas caiu) e neve.
Hoje tive a companhia de vário peregrinos durante o caminho. Passava uns, era passada por outros e acabei só conversando mesmo com uma australiana, Stephanie que também está fazendo o caminho pela primeira vez. No meio do caminho, durante a nevasca, dei a capa de chuva provisória que tinha trazido do Brasil para uma menina. Fiquei besta como, não só ela, mas uma galera estava sem capa de chuva tanto na mochila como para si, e olhe que depois choveu forte até. Enfim, dicas do dia: capa de chuva, bastão (se soubesse que a descida para Roncesvalles estaria como estava teria comprado 2 e não 1 como fiz), manteiga de cacau ou coisa do tipo e luva impermeável. Sim, porque apesar de ter levado, minhas luvas molharam e num determinado momento estava quase que a mesma coisa ficar com ou sem e te digo, queima de tanto frio, é horrível! Por sorte já estava chegando em Roncesvalles. Uma outra coisa que pode facilitar as coisas é usar um boné com a capa de chuva, ele ajuda para que a capa não fique caindo no rosto, afinal, as capas são tamanho único e mesmo fazendo os ajustes com o elástico fica folgado, pelo menos em mim ficou.

Neve Neve Neve

Chegando na cidade fui à Oficina dos Peregrinos, carimbei a credencial e paguei 6€ pela estadia no albergue local. O albergue é enorme, um grande salão com não sei quantos beliches. Conheci mais 2 brasileiros, Regina e Paulo de Goiânia, muito gente boa! Fui jantar com eles e dividimos a mesa com mais 3 peregrinos canadenses. No Menu Peregrino foi servido Macarrão, Peixe frito com batata frita (devo dizer que o peixe estava espetacular!), iogurte de sobremesa e vinho. Na saída do restaurante reencontrei o pessoal do avião.

Regina e Paulo na frente e os 3 canadenses

À caminho da igreja encontrei Zanza e José Carlos também, ele torceu um dos joelhos na descida para Roncesvalles, ela disse que ficou bem apreensiva porque não conseguia levantá-lo. Imagino o desespero que não foi, realmente, com a chuva o lugar estava pior do que deve ser quando seco. Ela é massagista e vai ver o que dá para ser feito para que eles continuem a caminhada. Me lembrei de um cara que, pelas roupas, parecia ser ciclista, já batizado por mim de ciclista maluco, enquanto passava pela descida com todo cuidado já que além de super íngreme estava derrapando com o solo lamacento, ele passou correndo a milhão, fiquei sem entender, mas tudo bem.
Esperei um pouco até o início da missa com a bênção especial aos peregrinos. Tinha ouvido falar muito dela, mas, sendo bem franca, não achei nada demais. Mas, de fato, apesar de pequena, a igreja é bem bonita, sem contar que um dos padres que parece com Dom Geraldo Magela. Haviam peregrinos de tudo quanto é canto do mundo. Os japinhas que tinha visto mais cedo no albergue, mas que achei serem coreanos porque falavam como Sun de Lost, eram de fato coreanos isso porque imagino que o padre só fala o nome dos países que tem peregrinos lá representando. O detalhe é que, na hora final da missa quando o padre chama os peregrinos para a tal bênção, faltou luz, mas tudo bem, tinha uma vela acesa lá e deu tudo certo.

A missa dos peregrinos

Enquanto atualizava o blog, faltou luz novamente (e mais 1 ou 2 vezes depois). Olhei ao redor e vi que um grupo de japinhas estava com um notepad bem pequenininho. Lembrei de Adriana que perguntou se não ia trazer um para cá e achei meio piada, mas um daquele tamanho até que era uma boa.
Quando me arrumava para dormir, comentei com Regina o que houve com as minhas luvas, acho que acabei esquecendo elas na Oficina dos Peregrinos pois as tirei já que estavam molhadas, ela me disse que tinha trazido um par extra e acabou me dando o par que não estava utilizando.
Comprei no albergue mesmo um outro protetor auricular, esse era um pouco diferente pois não era tão macio e molengo como o outro, era feito do mesmo material daqueles espaguetes que são utilizados em piscina, o mesmo material que, mais cedo, Paulo havia comentado que era bem melhor para evitar ruído.
Diferentemente de ontem, hoje senti dor nos joelhos, também, com aquelas subidas e descidas medonhas não tinha como o coitadinho ficar intacto. Além disso, a tal perna fraca e dor no quadril, a mesma sentida ontem.

O albergue

Uma coisa bem bacana desse albergue é que, na hora de dormir, eles colocam uma música e a Ave Maria para sinalizar que vão apagar as luzes, gostei bastante, nada abrupto.
A noite passei frio que só foi resolvido quando fechei o saco de dormir praticamente todo deixando só o nariz de fora, isso porque tentei fechar tudo, mas com o tempo ficava ruim de respirar. Graças ao novos protetores auriculares, não sofri com os roncos, pelo menos isso.

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Bonjour!


Resumo:
10 horas Rio de Janeiro – Madri
4 horas espera em Madri
1 hora Madri – Pamplona
30 minutos esperando o taxista que não apareceu
1 hora e meia Pamplona – Saint Jean Pied de Port
3 horas SJPP – Albergue Orisson
Gastos: 30€ albergue + 50 € bastão e capa de chuva
Dica: Remédio para enjoo, Protetor labial (manteiga de cacau ou similar), protetor auricular (de preferência com cordinha para não perder), começar a caminhada para o albergue até no máximo 15 horas.

Sim, falei que estava indo para a Espanha, mas tudo começa na França. Descobri que preciso aprender francês nem que seja o básico do básico só pra não passar vergonha, sei lá. O que não teria sido de mim sem a aulinha particular online que meu amigo Jean-Luc me deu. Não foi o suficiente, mas o suficiente para dizer que não falava francês (sabe-se lá com que pronúncia) e que sou brasileira.
Well, comecemos do começo porque já estou na França e muita coisa aconteceu desde então.
O voo para Madri foi horrível como de costume. Não achei que fosse achar uma companhia aérea tão ruim quanto a Delta, mas a Ibéria está ali, pau a pau. Tudo bem que não teve pedaço do teto caindo, mas o travesseiro estava sujo e tanto ele como o cobertor veio sem estar lacrado, logo, desconfio que de fato não tenhas sido higienizados.

Poltrona zuada da Ibéria

A comida foi ruizinha também, mas pelo menos o atendimeto bom. O engraçado que ao comentar essas coisas da Ibéria e depois comentar da Delta, meu colega do lado, mineiro Bobby, relatou que aconteu a mesma coisa de peça do avião da Delta cair durante o voo, das duas uma, ou ele estava no mesmo voo ou é comum. Como as datas para os EUA não coincidiram, é porque é comum mesmo. Com isso, a Delta ainda fica com o posto de “pior cia aérea que já viajei”. O voo durou aproximandamente 10 horas.

Belo nascer do sol já na Espanha

Cheguei em Madri por volta das 10:30 horas, depois de todos os trâmites tive que mofar 4 horas esperando o voo para Pamplona. Foi engraçado ver americanos gente como a gente na filona dos não pertencentes à União Européia, não vou mentir. E vi uma sósia de Lilla, caraca, a mulher era muito igual, só que loira, imagino que tenha sido isso que me fez demorar alguns minutos até reconhecer.
Não resisti e acabei comprando um travesseirinho cheio das histórias que pode ser usado de várias formas e acabei dormindo gostoso mesmo toda tronxa no banco do aeroporto. Próximo do horário de embarque, fui para próximo do portão de embarque e acabei conhecendo uns brasileiros que estavam no mesmo avião que eu. Um trio carioca (Adriana, Gabriela e Railson) outro trio de MG (Bea, Regina e Rosângela) e dois irmãos de Volta Redonda no RJ (Luciene e Ricardo). Pense num avião mini? Me senti uma gigante lá dentro, podia ver dentro e até o final do bagageiro sem esforço hehehe. Chegamos em Pamplona às 15 horas. Havia agendado um taxi já que não queria perder tempo para ir para Saint Jean Pied de Port, mas reservar para quê? O cara não apareceu, nem o meu nem o de niguém na verdade. Pedi para a moça do balcão de informação ligar para um taxi para mim porque nem pude comprar um cartão telefônico, pois não havia ninguém para atender na cafeteria do mini-micro aeroporto local. O taxi chegou e fomos eu com o trio carioca, os outros quiseram esperar os taxistas. Primeira dica do dia: remédio para enjoo. A estrada para SJPP é cheia de curta e sobe e desce, olha que estou acostumada a viajar e não ter nada, tivemos de pedir para o taxista parar porque Gabriela passou mal de verdade, eu fiquei só na ameaça. A corrida de taxi saiu por 120 euros que dividimos pelos 4, nem os 112 que o cara me falou por e-mail nem os 95 que o trio havia conseguido com o taxista deles, mas tudo bem.

Saindo de SJPP

Já estava atrasada para começar minha caminha e ainda tive de parar numa loja para comprar o bastão. Optei por um que serve pra esqui também, e uma capa de chuva decente, comprei um imã da cidade, claro, e depois passei na Oficina do Pelegrino para pegar o segundo carimbo de minha credencial. A cidade me pareceu bem bonitinha, e fica a segunda dica: dormir em Orisson faz toda diferença, mas acho que vale a pena a visita a SJPP. Tendo em vista os mesmos horários dos voo eu teria ficado em SJPP hoje e só ido para Orisson no dia seguinte.

Horrível o lugar não é, só é de difícil acesso

Sai de SJPP às 17:30. O trecho até Orisson é horrível. Fora o fato de estar totalmente atrasada e ter encontrado apenas 2 peregrinos no meio do caminho. Olha como o mundo é little little. Dois brasileiros de São José dos Campos (Rosângela – Zanza – e José Carlos) onde morei em 2001. Eles iam dormir em Hountto. Foi bom ter encontrado com eles, porque ela acabou me ajudando com a hospedeira do albergue deles. Eu tinha parado lá na intenção de dar uma descansada nas costas e aproveitar para pedir o carimbo de lá. Maldita hora que resolvi pedir o tal carimbo. Zanza ajudou a traduzir o que a mulher disse, mais ou menos: “por que quer meu carimbo se vai ficar na concorrência?” Juro! Muito gentil, pra não dizer ao contrário.
O pior foi que o tal carimbo não era igual ao que vi no site da AACS e nem era bonito pra dizer a verdade, fazer o que? De todo modo, é uma outra opção para quem não quiser cruzar os Pirineus de uma vez só. Se for como a minha situação presente teria sido a melhor opção já que me embananei com o horário e porque os 7,716 km até chegar à Orisson, apesar de pouco, é horrível. O mais engraçado foi que, durante o caminho eu vi uma casinha num morro longe longe e pensei “afe, que casinha distante, meu Deus”. O pior, e mais desesperador, devo dizer, foi ver a tal casinha chegando cada vez mais perto. Uma hora pensei “não creio, a tal casinha é o albergue”, antes fosse. Depois da tal casinha ainda tive que andar mais um bocadinho até finalmente chegar em Orisson.

Uma luz no fim da curva

Quando finalmente cheguei, 3 horas depois, às 20:30, todos já tinham se arrumado, jantado e estavam naqueles momentos finais antes de dormir. Expliquei meu problema com o taxista que me esqueceu no aeroporto de Pamplona, mas não teve problema, deu tempo de comer, tomar banho e dormir. Como todo mundo já tinha comido, o pessoal falou para eu comer antes de me acomodar, até porque achavam que estava morrendo de fome também. Na verdade estava mais cansada do que qualquer outra coisa, mas tinha de comer. Enquanto comia, mesmo com meu casaco gritando Brasil, uma mulher me perguntou se era italiana. Depois que comi e que o corpo esfriou aconteceu algo engraçado com minhas pernas, ao subir as escadas até o quarto as senti meio bambas, foi estranhos, meio que não tinha força.
Depois de tomar banho me preparei para dormir. Tinham apenas umas 6 pessoas no quarto, mas já foi o suficiente para o grande barulho durante a noite. Terceira dica do dia: os protetores auriculares não resolvem lá muita coisa, mas amenizam, de qualquer forma, opte pelos que tem uma cordinha, durante a noite um dos meus saiu do lugar e não consegui mais achar. Por falar nisso… Os roncos são uma coisa fora de série, foi uma sinfonia que vou te contar, tudo quanto é tipo que puder imaginar. Tive problema para dormir tanto pelos roncos como por minha dificuldade natural de dormir cedo mesmo estando exausta.